por Clarice Lispector
A SURPRESA
Olhar-se ao espelho e dizer-se deslumbrada: Como sou misteriosa. Sou tão delicada e forte. E a curva dos lábios manteve a inocência.
Não há homem ou mulher que por acaso não se tenha olhado ao espelho e se surpreendido consigo próprio. Por uma fração de segundo a gente se vê como a um objeto a ser olhado. A isto se chamaria talvez de narcisismo, mas eu chamaria de: alegria de ser. Alegria de encontrar na figura exterior os ecos da figura interna: ah, então é verdade que eu não me imaginei, eu existo.
p.23
IN: LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.
anna vörös
terça-feira, 8 de maio de 2012
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
caminhava por uma das ruas mais elegantes e luxuosas de São Paulo. Não por ter árvores, parques, ar puro ou cultura ao ar livre, mas por abrigar as grifes mais famosas do mundo. Adoro caminhar por ali e banhar meus olhos de cores, texturas, ....e minha mente de perguntas.
Hoje, enquanto continuava a indignar-me com o excesso de coisas e falta de acesso deparei-me com ela - poderosa, discreta e silenciosa. estava dentro do carro preto, chique, de marca, grandioso. mas seu poder era tamanho que o glamour daquele veículo ultramoderno transformou-se em uma espécie de caixa de metal com rodas. Levava uma senhora, careca, com um lenço tentando decorá-la, e mais dois ocupantes,à frente. quase cheirava-se sua presença.
o sentido da vida tomou conta do asfalto, num instante tão ínfimo e intenso quanto o raio de luz que atinge a floresta. cobriu meu corpo e aquietou minha mente. sorri, lembrando do que minha amiga Janaína escreveu em seu blog:
Hoje, enquanto continuava a indignar-me com o excesso de coisas e falta de acesso deparei-me com ela - poderosa, discreta e silenciosa. estava dentro do carro preto, chique, de marca, grandioso. mas seu poder era tamanho que o glamour daquele veículo ultramoderno transformou-se em uma espécie de caixa de metal com rodas. Levava uma senhora, careca, com um lenço tentando decorá-la, e mais dois ocupantes,à frente. quase cheirava-se sua presença.
o sentido da vida tomou conta do asfalto, num instante tão ínfimo e intenso quanto o raio de luz que atinge a floresta. cobriu meu corpo e aquietou minha mente. sorri, lembrando do que minha amiga Janaína escreveu em seu blog:
"Lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a tomar grandes decisões.!Porque quase tudo - expectativas externas, orgulho, medo de passar vergonha ou falhar - caem diante da morte, deixando apenas o que é importante. Lembrar que voce vai morrer é a melhor maneira que eu conheço para evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder. Você já está nu. Não há razão para não seguir seu coração."
Steve Jobs
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
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